Vínculo, pertencimento e afetividade nas relações familiares do adolescente ofensor sexual

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60114/rbtf.v14.164

Palavras-chave:

Adolescente ofensor sexual, Abuso sexual, Família

Resumo

O propósito do texto é contribuir com a ampliação do conhecimento sobre o adolescente que cometeu ofensa sexual, levando em conta principalmente as relações familiares. A discussão sobre esse contexto retoma a perspectiva de autores clássicos, nacionais e internacionais, no estudo de família. Trata-se de pesquisa qualitativa que utilizou a escultura familiar como instrumento de avaliação em uma leitura sistêmica das relações familiares, considerando o pertencimento, a vinculação e a afetividade. Foram realizadas 10 esculturas, fotografadas e transformadas por meio do aplicativo PicsArt. Para viabilizar a publicação delas, houve a substituição por figuras geométricas das pessoas nas fotos. A discussão expressou o movimento de aproximação e rompimento entre a mãe e o adolescente ocasionando uma frágil vinculação e trazendo dúvida sobre seu lugar de importância afetiva. O sentimento de pertencimento, que mantém a ligação permanente com os membros da família, mostra-se também duvidoso, determinando comportamentos que tentam comunicar o sofrimento dos adolescentes. Esta comunicação ainda se mostra nas fronteiras familiares, pois sua intencionalidade é pedir ajuda. A escultura familiar traz possibilidades de compreensão dos aspectos da leitura sistêmica da família. Trata-se de uma abordagem recomendada para os profissionais que atendem esses adolescentes que cometeram ofensa sexual intrafamiliar.

Referências

Alexander, A. A., McCallum, K. E., & Thompson, K. R. (2021). Poly-victimization among adolescents adjudicated for illegal sexual behavior: A latent class analysis. Journal of Aggression, Maltreatment & Trauma, 30(3), 347-367. https://doi.org/10.1080/10926771.2020.1774692

Andolfi, M. (1981). Terapia familiar. Vega.

Andolfi, M. (2018). A terapia familiar multigeracional: Instrumentos e recursos do terapeuta. Artesã.

Andolfi, M., & Mascellani, A. (2012). Historias de la adolescencia: Experiencias en terapia familiar. Gedisa.

Arpini, D. M., Witt, C. S., Savegnago, S. D. O., Lopes, M. D. C., & Siqueira, A. C. (2013). Violência sexual contra adolescentes: “Ninguém quer ajudar, só julgar”. Adolescência & Saúde, 10(Supl. 1), 27-33. Recuperado de http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=392

Borges, M. M. (2018). Adolescência e ofensa sexual: [in]visibilidade dos vínculos familiares [dissertação de mestrado]. Instituto de Psicologia], Universidade de Brasília. Recuperado de https://repositorio.unb.br/handle/10482/34855

Chagnon, J. Y. (2017). Clínica e psicopatologia dos autores de agressão sexual. In D. M. Amparo, E. R. Lazzarinni, I. M. Silva, & L. Polejack (Eds.), Psicologia clínica e cultura contemporânea (vol. 3, pp. 305-330). Technopolitik. Recuperado de http://psicc.unb.br/images/livros/PsiClinCultContemp3v2rF.pdf

Costa, F. A. O. (2020). O adolescente que cometeu abuso sexual: Reflexões sobre a subjetividade. Dialética.

Costa, L. F., Penso, M. A., & Conceição, M. I. G. (Eds.) (2015). Manual de grupos multifamiliares. Central de Produções.

Costa, L. F., Setubal, C. B, Wolff, L. S., & Penso, M. A. (2020). Uma perspectiva sistêmica e de gênero na atenção ao adulto ofensor sexual. In J. S. N. F. Bucher-Maluschke & J. A. Alcântara (Eds.), Perspectiva sistêmica e práticas em psicologia: Temas e campos de atuação (pp. 225-243). CRV.

Esteves de Vasconcellos, M. J. (Ed.) (2025). Metodologia de atendimento sistêmico: Design de práticas colaborativas novo-paradigmáticas. Appris.

Fishman, H. C. (1989). Tratamiento de adolescentes con problemas: Un enfoque de terapia familiar. Paidós.

Magalhães, A. S., Feres-Carneiro, T., Machado, R. N., & Dantas, C. R. (2017). Modos de vinculação na família: a fratria em questão. In T. Féres-Carneiro (Ed.), Casal e família: Teoria, pesquisa e clínica (pp. 97-114). Prospectiva/PUC-Rio.

Magalhães, A. S., Féres-Carneiro, T., Machado, R. N., & Mello, R. (2015). Autoridade parental e violência familiar: O pai em questão. In T. Féres-Carneiro (Ed.), Família e casal: Parentalidade em diferentes contextos (pp. 25-38). Prospectiva/PUC Rio.

Marra, M. M., & Costa, L. F. (2017). A família em contexto de abuso sexual: Significados e construções narrativas. In M. Grandesso (Ed.), Práticas colaborativas e dialógicas em distintos contexto e populações: Um diálogo entre teoria e prática (pp. 491-512). CVR.

Marra, M. M., & Costa, L. F. (2018). Entre a revelação e o atendimento: família e abuso sexual. Avances en Psicologíia Latinoamericana, 36(3), 459-475. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.3564

Minuchin, S. (1982). Famílias: funcionamento e tratamento. Arte Médicas.

Minuchin, S., & Fishman, C. (1990). Técnicas de terapia familiar. Artes Médicas.

Minuchin, S., Lee, W. Y., & Simon, G. M. (2008). Dominando a terapia familiar. Artmed.

Muniz, A. A. M., & Féres-Carneiro, T. (2012). Função fraterna: reflexões a partir do filme Príncipe das Marés. Psicologia em Revista, 18(1), 41-56. https://doi.org/10.5752/P.1678-9563.2012V18N1P41

Negreiros, A. C. P., Rocha, M. A. Q., & Silva, L. F. (2021). Sociedade e família: Um olhar histórico, social e estrutural acerca da família. Revista Episteme Transversalis, 12(1), 1-16. Recuperado de https://www.academia.edu/113427599/SOCIEDADE_E_FAM%C3%8DLIA_Um_Olhar_Hist%C3%B3rico_Social_e_Estrutural_acerca_da_Fam%C3%ADlia

Nichols, M. P., & Schwartz, R. C. (2007). Terapia familiar: Conceitos e métodos. Artmed.

Oliver, B. E. (2007). Three steps to reducing child molestation by adolescents. Child Abuse & Neglect, 31(7), 683-689. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2006.09.008

Passos, M. C. (2015). Vicissitudes do tempo na formação dos laços familiares. In T. Féres-Carneiro (Ed.), Família e casal: Parentalidade em diferentes contextos (pp. 11-23). Prospectiva/PUC-Rio.

Penso, M. A., Conceição, M. I. G., Costa, L. F., & Carreteiro, T. C. O. (2012). Jovens pedem socorro: O adolescente que praticou ato infracional e o adolescente que cometeu ofensa sexual. Líber.

Pincolini, A. M. F., & Hutz, C. S. (2014). Abusadores sexuais adultos e adolescentes no sul do Brasil: Pesquisa em denúncias e sentenças judiciais. Temas em Psicologia, 22(2), 301-311. https://doi.org/10.9788/TP2014.2-03

Ponciano, E. L. T. (2015). Autoridade parental em transformação: pais e filhos na adultez emergente. In T. Féres-Carneiro (Ed.), Família e casal: Parentalidade em diferentes contextos (pp. 73-92). Prospectiva/PUC-Rio.

Said, A. P., & Costa, L. F. (2019). Family dynamics of boys victims of sexual abuse. Paideia, 29, e2908. https://doi.org/10.1590/1982-4327e2908

Said, A. P., & Costa Junior, A. (2018). Polivitimização de meninos vitimizados sexualmente: uma análise documental a partir de fichas de notificação. Contextos Clínicos, 11(1), 26-36. https://doi.org/10.4013/ctc.2018.111.03

Said, A. P., Junqueira, E. L., & Costa, L. F. (2016). A passagem ao ato no abuso sexual intrafamiliar fraterno de menino. Revista Brasileira Adolescência e Conflitualidade, (14), 5-12. https://doi.org/10.17921/2176-5626.n14p5-12

Santos, S. S., & Dell’Aglio, D. D. (2010). Quando o silêncio é rompido: O processo de revelação e notificação de abuso sexual infantil. Psicologia & Sociedade, 22(2), 328-335. https://doi.org/10.1590/S0102-71822010000200013

Seto, M. C., Babchishin, K. M., Pullman, L. E., & McPhail, I. V. (2015). The puzzle of intrafamilial child sexual abuse: A meta-analysis comparing intrafamilial and extrafamilial offenders with child victims. Clinical Psychology Review, 39, 42-57. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2015.04.001

Silva, A. C. G., Fernandez, L. M. M., Sousa, R. G. C., Pereira, V. M., Tavares, A. S., & Costa, L. F. (2021). Avaliação de reincidência de ofensa sexual cometida por adolescentes de 16-18 anos. Desidades, 9(31), 188-206. https://doi.org/10.54948/desidades.v0i31.41471

Souza, A. P. L., Lauda, B. V., & Koller, S. H. (2014). Opiniões e vivências de adolescentes acerca dos direitos ao respeito, à privacidade e à proteção contra a violência. Psicologia & Sociedade, 26(2), 397-409. https://doi.org/10.1590/S0102-71822014000200016

Stoicov, G. R. (2021). Conceito de família para atuação da psicologia no Sistema Único de Saúde. Revista Portal Saúde e Sociedade, 6(único), e02106043. https://doi.org/10.28998/rpss.e02106044

Tavares, A. S., Costa, L. F., & Moreira, D. L. (2021). Ofensa sexual cometida por adolescentes jovens/adultos. Aletheia, 54(2), 82-94. https://doi.org/10.29327/226091.54.2-8

Worling, J. R., & Curwen, M. A. (2012). Estimativa de risco de reincidência de agressão sexual em adolescentes. ERASOR (versão portuguesa). Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro.

Worling, J. R., & Langton, C. M. (2017). Trends over time in clinical assessment practices with individuals who have sexually offended. In D. P. Boer (Ed.), The Wiley handbook on the theories, assessment, and treatment of sexual offending (pp. 573-606). Wiley Blackwell.

Downloads

Publicado

2026-09-28

Como Citar

Miranda Borges, M., & Fortunato Costa, L. (2026). Vínculo, pertencimento e afetividade nas relações familiares do adolescente ofensor sexual. Revista Brasileira De Terapia Familiar, 14(1). https://doi.org/10.60114/rbtf.v14.164

Edição

Seção

Artigos